Conforme pedido pela Sandra Godinho decidi dar o meu contributo com a partilha de algumas das memórias que tenho destes ultimos 16 anos passados com o emblema do clube ao peito, entretanto entusiasmei-me com o que foi escrevendo e saiu um livro.
Gostava de partilhar com os interessados algumas memórias e opiniões sobre aquilo que vivi todos estes anos no clube, é uma leitura extensa por isso se calhar muitos não terão interesse em ler mas de qualquer forma aqui vai:
Com a honrosa prestação de Paula Saldanha nos Jogos Olimpicos de Barcelona em 92 (7º lugar) o Judo na Madeira teve um "boom" no numero de atletas federados, até aí o Judo Regional tinha passado por fazes em que se pensou que a modalidade ia se extinguir na Madeira, houve um ano em que apenas haviam 6 atletas federados pela AJRAM.
O Clube que tirou mais beneficios da publicidade criada em torno de Paula Saldanha foi o Clube Naval do Funchal por razões obvias, fazendo a atleta parte dos quadros do clube o nome Clube Naval do Funchal era muitas vezes falado na comunicação social e sempre associado aos grandes feitos da Judoca Paula Saldanha, então em meados dos anos 90 o Naval ultrapassa Sporting Clube da Madeira e o Grupo Desportivo do Estreito passando a ser o clube com maior numero de federados da AJRAM.
Nesses anos 90 a competição Regional era levada bem a sério, havia uma grande rivalidade entre os 3 clubes existentes na região e havia muita emoção nas poucas competições disputadas pelos atletas, nessa altura eram disputadas apenas 3 a 4 competições regionais por ano e os atletas tinham uma unica oportunidade por ano de participar em provas nacionais, como é natural o nivel dos judocas madeirenses não era muito elevado, a modalidade dava os seus primeiros passos, haviam poucas competições e os madeirenses estavam quase arredados da realidade nacional do Judo, mas como diz o povo "em terra de cegos quem tem um olho é rei", e os atletas mais novos olhavam para os mais velhos como se de autenticos herois se tratassem, isso levava a uma emoção extra nas competições, os atletas mais jovens enchiam o ginásio dos bombeiros Municipais do Funchal para assistir às provas dos mais velhos sonhando um dia vir a ser como alguns deles.
Entretanto mudam-se os filiados madeirenses na FPJ passando os clubes regionais a serem o Clube Naval do Funchal, Club Sports Madeira e o Lobo Gym, e surge a ideia de criar a liga regional de equipas, os primeiros anos da Liga foram sem margem para duvidas um marco histórico no Judo Regional, em prova estavam equipas a representar cada um dos 3 clubes e há volta do tapete estavam todos os atletas mais jovens a incentivar os mais velhos, haviam até claques organizadas, o Ginásio dos Bombeiros Municipais rebentava pelas custuras com tanta gente a querer ver os encontros, não haviam mão a medir era ver toda a gente a lutar por um bom sitio para assistir aos combates, as equipas alinhavam e o barulho tornava-se ensurdecedor, o ambiente no interior do pequeno espaço era fantástico e os atletas navalenses mais jovens festejavam efusivamente as vitórias do seu clube que sempre demonstrou um claro dominio nessa Liga Regional, a equipa composta por atletas que pese embora nunca tenham na sua maioria sido atletas com resultados de relevo fora da região são necessariamente nomes que marcaram o Judo do Clube Naval e da Madeira, José Belim, Miguel Cró, Manuel Saldanha, Marco Carvalho e Robert Wintje eram aqueles para quem os mais novos olhavam e queriam um dia ser.
Mas notou-se que havia um grande desnivel entre o que se passava na Madeira e aquilo que se passava no resto do País, nas poucas participações nacionais notava-se que os atletas regionais não tinham a minima hipotese de lutar de igual para igual com a maioria dos atletas nacionais e começou-se a fazer a aposta no desenvolvimento do Judo na Madeira por forma a se equiparar às restantes regiões de Portugal, o Naval foi claramente o clube que desde sempre esteve um passo à frente dos restantes e começaram a aparecer alguns atletas com resultados a nivel Nacional, Marco Carvalho, Pedro Olim, Joana Olim, Vitor Malho, Joaquim Justino e Tomás Freitas foram os primeiros nomes madeirenses a ser reconhecidos a nivel nacional.
Com as chegadas de Sandra Godinho e posteriormente Cesar Nicola aos quadros do Clube Naval, o nivel dos atletas teve um crescimento assentuado e tem assim se mantido, hoje o Naval tem sempre candidatos às medalhas em todas as provas em que participa, à 10 anos atrás qualquer atleta que tivesse no sorteio um adversário madeirense contava com uma vitória quase garantida, hoje em dia os atletas do Naval são olhados com respeito por via dos resultados alcançados nos últimos anos, com um corpo técnico de grande nivel as gerações mais recentes de judocas navalistas tem tido consistencia de resultados a nivel nacional e alguns resultados de relevo a nivel internacional. Este trabalho desenvolvido pelo Clube Naval fez com que o clube se destacasse dos restantes clubes regionais colocando-os a uma grande distancia, e se hoje em dia temos um Naval entre os grandes do Judo nacional temos como contrapartida uma certa degradação do judo a nivel regional, as provas perderam a emoção de outrora, já não existem equipas dos outros clubes, as provas são participadas quase a cem por cento por atletas do nosso clube, os mais jovens já não alto para os mais velhos como os atletas que aspiram a ser pois não os têm como uma referência competitiva pois muito raramente os podem ver combater, é triste ver que agora que temos pavilhões com outras condições estes estão sempre despidos de público.
A hegemonia dos resultados do Clube Naval a um nivel superior fez claramente com que houvesse um decréscimo da competição regional, mas nós lutamos para evoluirmos sempre mais, não estamos nunca satisfeitos com os resultados que conquistamos, lutamos para nos tornarmos cada vez mais numa potência a nivel nacional, perseguimos o sonho de sermos o amior clube do país e colocarmos atletas nos grandes eventos internacionais, é isso que nos move, é isso que nos faz suar o kimono dia após dia, é nosso espirito de camaradagem e alegria de ver o nosso colega triunfar que nos faz sentir que o Judo do Naval é uma familia, é o saber que cada triunfo de um qualquer nosso Judoca em qualquer prova é sempre um pouco nosso, em cerca de 20 anos de História crescemos muito, mas o nosso crescimento não fica por aqui... estmos aqui para continuar a crescer e a trazer cada vez mais alegrias para a nossa modalidade e para o nosso clube.
P.S: Peço desculpa por eventuais erros de português e /ou escrita...
quarta-feira, 29 de dezembro de 2010
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era tao bom ter malta do LG ou SCM para dar uma coça.. la vai o tempo
ResponderEliminarlol yanick pode ser que um dia destes num torneio tenhas uuma surpresa de todo o tamanho que inda ficas mal...
ResponderEliminardesde que nao tenha que ser operado por isso... tasse bem :)
ResponderEliminarBem seria de facto uma grande surpresa, não se aparecesse alguem e ganhasse o yanick ou a outro qualquer atleta do naval, mas aparecer uma equipa de outro clube e ainda ganhar um regional de equipas, isso é quase um milagre de Natal nos dias que correm.
ResponderEliminarExcelente! Nem eu faria melhor (tou a caçoar!)
ResponderEliminarPenso que há apenas uma imprecisão no teu texto: a Paula em 92 era atleta do Sporting da Madeira (que entretanto mudou para Sports Madeira, depois para Judo Clube da Madeira,...)
Parabéns pelo teu texto e a toda essa rapaziada. Desejo muito sinceramente que 2011 seja um Ano cheio de sucessos para todos vós. Estou afastado mas vou sempre ficar a acompanhar-vos "do sofá"
Abraço!
Pois, adimito que possa ter errado, apenas entrei para o clube em 94 e o que escrevi foi tudo de memória, como apenas me lembro sempre de ver as noticias relcionadas com o Judo falarem de Paula Saldanha e Clube Naval, estava convencido que já estivesse lá nessa altura, penso que então deve ter ido para o Naval imediatamente a seguir aos jogos.
ResponderEliminarEm relação aquilo que foi escrito tenho sempre muita pena de que todos os nomes em que falei estejam fora da modalidade, ainda não cheguei aos 30 e sinto-me velho por ter visto todos aqueles que cresceram ao meu lado no tapete terem se retirado definitivamente da modalidade, por muitas e diversas razões todos foram se afastando a pouco e pouco e há muita gente que poderia contribuir ainda tanto para a modalidade.
Desde os atletas que tinham um grande potencial e poderiam ter cheado muito mais longe do que aquilo que chegaram como Malho Justino e Tomás, a pessoas que poderiam dar um escelente contributo como treinadores (o Belim tinha na minha opinião uma capacidade fora de série para dar treinos aos escalões etários mais baixos).
Acho que o desafio para o futuro é fazer com que não se perca a maioria das pessoas que agora estão no judo e porque não incentivar o regresso de muitos dos retirados.